Katherine Langford entrevistou a atriz, cantora e produtora Selena Gomez para a edição de março de 2018 da Harper’s BAZAAR americana.

A revista chega as bancas no dia 20 de fevereiro, mas você pode conferir a tradução do artigo publicado no site da Harper’s BAZAAR a seguir:

A GRANDE AVENTURA DE SELENA GOMEZ
Aos 25 anos, Selena Gomez enfrentou sua cota de obstáculos e emergiu mais forte do que nunca. Ela conta a Katherine Langford — estrela da série da Netflix produzida por Gomez, 13 Reasons Why — o que ela aprendeu ao longo do caminho.

KATHERINE LANGFORD: Qual é a melhor parte de ser uma artista em 2018?

SELENA GOMEZ: Sinto como se tivesse se tornado uma espécie de lugar muito mais seguro para expressar suas preocupações ou mesmo para apenas ter o direito de dizer, sabe, “Eu não tenho certeza se me sinto confortável neste ambiente.” Em um nível pessoal, tendo feito isto desde que eu tinha sete anos, provavelmente é o mais confortável que eu já me senti. Até mesmo em audições eu sinto que estou muito mais confiante do que eu teria sido no passado. Eu não estou focada nas coisas que eu costumava estar, como “Eu pareço velha o bastante? Eu pareço suficientemente sexy? Eu pareço descolada o suficiente? Eu sou legal o suficiente, graciosa o suficiente?” Esse tipo de coisas viria à minha mente, mas agora eu me sinto um pouco mais livre.

KL: Você se tornou famosa no início da sua adolescência. Existe algo que você sente que perdeu?

SG: Eu provavelmente passei tempo demais pensando em como minha vida poderia ter sido, então agora eu tento apenas ter um sentimento de gratidão por como ela é. Eu nunca quis ser o tipo de pessoa que é, tipo, “Oh, eu gostaria de ter uma vida diferente.” Isso é meio que como funcionou para mim. Estou no ponto no qual eu sei o valor da minha privacidade, e entendo como o sistema funciona, e uma vez que eu percebi e aceitei essa parte disso [de ser famosa], eu me tornei um pouco mais destemida. Eu vejo isso como um preço pequeno a se pagar pela possibilidade de ter a vida que eu tenho agora.

KL: Isto é Harper’s Bazaar, então precisamos falar de moda. Você é uma garota que prefere sapatos ou bolsas?

SG: Ah, os dois, sempre preferi os dois. Mesmo quando eu era mais nova e usava mochilas, eu ficava tão empolgada para ter uma da Betsey Johnson. Enchia muito mais os meus olhos do que roupas. E eu absolutamente amo sapatos descolados. Sempre achei que o que eu vestisse não importava, a menos que eu tivesse um par de sapatos bacanas para combinar com a roupa.

KL: Qual foi a sua primeira grande compra de moda?

SG: Uma bolsa para laptop da Louis Vuitton, logo após receber meu primeiro grande cheque sozinha. Eu me lembro de estar com tanto medo de que eu fosse estragar tudo, e de fingir que eu era uma pequena empresária que precisava carregar todas as suas coisas importantes, mesmo que [a bolsa] fosse apenas para o meu brilho labial e meu laptop.

KL: Você se tornou ícone fashion. Como você descreveria seu estilo pessoal?

SG: Definitivamente casual. Mesmo que eu não esteja me exercitando, eu pareço que estou me exercitando. [Risos]

KL: Você é a rainha indiscutível do Instagram, é claro. Como você divide a Selena pública da privada?

SG: Eu tenho um relacionamento complexo com o Instagram, para dizer o mínimo. Ele tem me dado uma voz em meio a todo o barulho de pessoas tentando narrar minha vida por mim e me permite dizer, “Ei, eu vou postar isso, e isto vai cuidar das 1.200 histórias que as pessoas acham que são interessantes mas na verdade não são, e nem mesmo são verdadeiras.” Então ele me empodera desta maneira, porque são as minhas palavras, a minha voz e a minha verdade. A única coisa que me preocupa é quanto valor as pessoas da nossa idade dão às redes sociais. [O Instagram] É uma plataforma incrível, mas de muitas formas, ele tem dado à jovens pessoas, incluindo eu, uma falsa representação do que é importante. Então, é, é um relacionamento complexo. Provavelmente um dos meus relacionamentos mais difíceis.

KL: O que é uma típica noite de Sábado para você?

SG: Depende. Se eu estiver no clima de um tempo entre irmãs, eu estarei com minha irmã, Gracie. Ela é mais madura que eu em muitos quesitos, e ela tem quatro anos. [Risos] Se eu quiser sair com meus amigos, eu não vou realmente para muitos lugares da moda, de forma que as pessoas sabem que certamente não devem me convidar para estes lugares porque eu não irei. Eu gosto de ir a bons restaurantes, mas eu também adoro o Chili’s. Eu amo ir ao Chili’s e pedir nachos e queijo. Eu também amo dançar. De verdade. Eu amo parecer uma tola com meus amigos.

KL: Quão importante é a sua herança mexicana?

SG: Extremamente importante. Eu me olho no espelho todos os dias e penso, “Cara, eu queria saber mais de Espanhol.” Eu nunca irei me esquecer de quando estava fazendo minha série [Wizards of Waverly Place]; eu acho que tinha 15 ou 16 anos. Nós gravávamos ao vivo toda sexta-feira, e em uma destas sextas tinha uma mãe solteira com seus quatro filhos. Ela era Latina, e veio até mim após a filmagem, chorando. Os filhos dela estavam super empolgados, mas a mãe chamou a minha atenção, então eu a abracei e perguntei, “Ei, você está bem?” E ela respondeu, “É realmente incrível para as minhas filhas ver que uma mulher latina pode estar nesta posição e realizar seus sonhos, alguém que não é padrão, sabe, loira de olhos azuis.” E eu entendi o que ela quis dizer. Quando eu era mais nova, meu ídolo era Hilary Duff! Eu me lembro de querer ter olhos azuis também. Então eu acho que percebi, ali, que isso significava algo para as pessoas. Que isso importa. Mesmo recentemente eu vivenciei coisas com meu pai que eram racialmente denotadas. Na maior parte do tempo, no entanto, eu tento separar minha carreira da minha cultura porque eu não quero que as pessoas me julguem com base na minha aparência quando elas não têm a mínima ideia de quem eu sou. E agora mais do que nunca, eu estou orgulhosa disto. Mas eu ainda preciso aprender Espanhol. [Risos]

KL: A Geração Y é muito criticada por ser mimada e sem rumo. Você acha que nós somos criticados injustamente?

SG: Eu acho que a Geração Y é muito mais esperta do que as pessoas acham que somos. Somos mais conscientes do que deixamos transparecer, e mais expostos a tudo que existe no mundo, apenas por crescer na era da Internet, o que é um pouco assustador de se pensar.

KL: O que você acha que distingue a nossa geração daquelas que vieram antes?

SG: Essencialmente, acho que é a liberdade de nos expressarmos e sermos nós mesmos de uma maneira descarada. Graças à Internet, não importa quem você seja, você sabe que não está sozinho. Talvez um jovem menino ou menina crescendo no Sul ou onde quer que seja estejam confusos e aterrorizados de ser quem são porque não acham que é certo. Agora eles podem ver ao seu redor pessoas vivendo livres de dor, de agendas ocultas, de segredos. Eu acho que segredos matam pessoas, de verdade. Você acaba tentando ferrenhamente encobrir demais quem você é por causa de sua família ou de quem quer que seja, e você acha que é mau por ser diferente. Então é poderoso ver nossa geração quebrando essas barreiras e encorajando outras pessoas a fazerem o mesmo. Há uma sensação de liberdade que as gerações passadas não foram capazes de ter.

KL: Quem é o seu maior exemplo feminino?

SG: Meryl Streep sempre foi uma dos meus ídolos por causa de sua elegância e habilidade de sempre ser fiel a si mesma, mas interpretar essas personagens incrivelmente complexas e difíceis. Eu amo como ela se entrega. Eu me sinto da mesma maneira em relação a Grace VanderWaal, que tem, tipo, 14 anos. Eu estava nos Prêmios Billboard Mulheres na Música ano passado com todas estas mulheres incríveis, mas ela estava simplesmente radiante. Ela tinha esse conhecimento e sabedoria sobre si mesma que eu queria para mim. Ah, e eu realmente amo Amal Clooney. Eu sei que isso soa estranho, mas eu li muito sobre ela. Ela é simplesmente incrível, a maneira que ela fala e as coisas pelas quais ela luta. Eu acho que não estou fazendo muito sentido.

KL: Se você pudesse trocar de lugar com qualquer atriz do passado, quem seria?

SG: Ou Audrey Hepburn ou Molly Ringwald nos anos 80. Quão incrível isso seria? Ela era ruiva, tinha sardas e era tão incrivelmente descolada. Eu ainda quero me vestir como ela em ‘A Garota do Vestido Cor-de-Rosa‘.

KL: Você acha que 2018 será um ano melhor do que o que acabamos de ter?

SG: Eu vou dizer que sim porque acredito nisto para mim. E qualquer um que me conheça sabe que eu sempre irei começar com minha saúde e meu bem-estar. Eu tive muitos problemas com depressão e ansiedade, e eu tenho sido bastante vocal sobre isso, mas não é algo que eu sinta que um dia irei superar. Não haverá um dia no qual eu estarei tipo, “Aqui estou eu em um lindo vestido — eu ganhei!” Acho que esta é uma batalha que eu terei que encarar pelo resto da minha vida, e eu estou bem com isso porque sei que estou escolhendo a mim mesma antes de qualquer outra coisa. Eu estou começando meu ano com esse pensamento. Eu quero ter certeza de que estou saudável. Se isso estiver bem, todo o resto se ajeitará. Eu não costumo estabelecer metas porque não quero ficar desapontada se eu não alcançá-las, mas eu quero sim trabalhar na minha música também. Meu próximo álbum está sendo planejado há uma eternidade. Quando as pessoas me perguntam o motivo, eu sou honesta sobre isso: É porque eu não estou pronta. Quero dizer, francamente, eu não me sinto confiante o bastante ainda em relação a onde minha música está. Se demorar 10 anos para isso, então demorará 10 anos. Eu não ligo. Agora eu só quero ser super intencional com todas as coisas que estou fazendo.

Fonte: Harper’s Bazaar.
Tradução & Adaptação: Katherine Langford Brasil.
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